O faiante no piano

Xoves, 26 Abril as 20:00 h

Prezo da entrada GRATUITO

Gentalha do Pichel

Concerto didático sobre o fado.

O faiante no piano” é um projeto musicológico que pretende recuperar a prática de acompanhar ao piano o fado, estilo de canção portuguesa com raízes populares.

O piano entrou no mundo no fado por volta de 1870 e foi assaz utilizado como instrumento acompanhante para esta música durante cerca de cinquenta anos nas casas de fado e tavernas típicas dos bairros de Lisboa. Os motivos para o seu progressivo abandono são diversos: sociais, económicos, artísticos, políticos, …

Infelizmente, o fado ao piano teve muito pouca presença nos meios fonográficos, devido a que a sua prática já ficara desusada no momento em que estes chegaram a Portugal.

A maior dificuldade foi o facto de que os músicos da época geralmente criavam os seus acompanhamentos a improvisar. Não havendo, portanto, partituras que transcrevam exaustivamente estes usos, fez-se necessária uma reconstrução indireta partindo de arranjos para piano de êxitos da época (nomeadamente teatro de revista), cancioneiros e obras eruditas que buscavam inspiração no fado (como as Rapsódias Portuguesas de Victor Hussla). Outra fonte são as partituras de modinha, estilo urbano imediatamente precedente ao fado, habitualmente acompanhado com instrumentos de tecla.

A intenção do autor não foi apenas arqueológica, mas de procura de novas chaves que permitam interpretar o fado em base à tradição e sem prejuízo para outras formas de acompanhar.

O acompanhamento com guitarra portuguesa e guitarra clássica, sempre preferido no meio fadista, também foi inspiração para a criação dos acompanhamentos de “O faiante no piano”. Os acordes de guitarra, corridinhos, contracantos e linhas rítmicas de baixo são utilizados para evocar, por meio da polifonia permitida pelo piano, o ambiente típico fadista.

Este concerto persegue, desde o ponto de vista divulgador, o objeto de dar a conhecer o fado como forma de cultura.

O criador e as organizações responsáveis por este evento, comprometidos numa posição de respeito, não pretendem defender nem combater quaisquer dos elementos, ideologias, tradições, hábitos de consumo ou estilos de vida que se possam derivar quer das letras das canções quer da apresentação de diapositivos, cujo único interesse é ilustrativo para compreender melhor este estilo musical no seu contexto histórico e cultural.

Jep Ramos (Barcelona, 1970) partilha a sua vocação médica com a paixão pela música. Tem estudos de canto, piano, composição e musicologia, tendo passado por instituições como o Conservatori del Liceu (Barcelona), Conservatório Calouste Gulbenkian (Aveiro), Escola Hispano Rusa de Altos Estudios Musicales (Santiago de Compostela), Escola Berenguela (Santiago de Compostela) e Universidad Internacional de La Rioja.

A música interpretada por ele procura a cumplicidade entre os três vértices do triângulo formado pela voz, o piano e o público, os quais se comprometem na procura da emoção da experiência musical e a sua compreensão mediante o formato de concerto didático.